Autismo: da suspeita ao Diagnóstico

O Desenvolvimento infantil é um processo contínuo que envolve a aquisição de um conjunto de competências ao nível cognitivo, social, emocional e motor. No entanto, existe uma percentagem reduzida de crianças que apresenta alterações neurobiológicas no desenvolvimento típico. Dentro destas alterações encontra-se o Autismo. Sendo uma das mais temidas pelos pais, o medo da confirmação do diagnóstico faz com que, algumas vezes, o diagnóstico e as intervenções se iniciem tardiamente.

Normalmente os sintomas de autismo poderão ser detetados por volta dos 2-3 anos de idade, mas podem ser reconhecidos entre os 8-12 meses, se o atraso no desenvolvimento for grave. Alguns dos sinais precoces, anteriores ao desenvolvimento da linguagem, poderão ser:

  • Ausência de contacto ocular;
  • Ausência de resposta ao nome;
  • Diminuição ou ausência de gestos, como apontar;
  • Atraso na aquisição do balbucio (9 meses);
  • Ausência de resposta a expressões dos pais;
  • Ausência de expressões de alegria ou prazer (a partir dos 6 meses);
  • Ausência das primeiras palavras (16 meses);
  • Não sorrir em resposta a uma interação por parte do outro;
  • Movimentos repetitivos;
  • Hiper ou hiposensibilidade a determinados estímulos sensoriais (sons, toque, texturas);
  • Dificuldade em aceitar a mudança de rotinas ou situações novas;
  • Entre outros…

Globalmente, a Perturbação do Espectro do autismo é uma Perturbação Neurodesenvolvimento que se caracteriza por défices na comunicação, na interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Os défices na comunicação podem ser muito variáveis, indo desde a ausência total de comunicação até uma linguagem fluente, mas atípica, com dificuldades em estabelecer e manter um diálogo com os outros. Os Défices na Interação Social verificam-se sempre na criança com autismo e podem manifestar-se através de dificuldades na utilização de competências como o contacto visual, expressões faciais, postura e gestos adequados aos cotextos e partilha de interesses com os outros. Os Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades caraterizam-se essencialmente por uma preocupação intensa com um determinado brinquedo, atividade ou interesse, muitas vezes sem uma utilização simbólica ou funcional (podem passar muito tempo a alinhar brinquedos ou outros objetos, a apagar e acender as luzes, etc.). É importante também referir que muitas crianças com autismo demonstram uma sensibilidade diferente a estímulos sensoriais, podendo reagir muito ou pouco a sons, cheiros, objetos ou texturas.

Deste modo, é cada vez mais consensual que a intervenção precoce na Perturbação do Espetro do Autismo, reduz a cristalização e agudização dos problemas. O principal objetivo das intervenções precoces é minimizar os fatores que potencialmente venham a dificultar o desenvolvimento da criança, pelo que a procura de técnicos especializados, quando se verifica a presença de alguns dos sintomas apresentados, se torna fundamental.

Beatriz Moura

Psicóloga da Infância e Adolescência

mim – Clínica do Desenvolvimento