Chegou o bebé… E agora? A estimulação do recém-nascido

À bagagem que todo o ser humano traz por via genética e congénita, agrega-se o que adquire do ambiente. Desde que nasce, o bebé necessita de aprender e, para isso, a ajuda dos adultos é fundamental. Deste modo, podemos afirmar que os primeiros estimuladores do bebé são os pais. Serão estes os responsáveis por reunir as melhores oportunidades para favorecer e dar amplitude às competências inatas, resultantes de uma programação genética típica dos seres humanos. E, embora possamos contar com a valiosa “intuição de pais”, é fundamental aprendermos mais sobre as necessidades dos bebés e como satisfazê-las.

Para tal, importa ter em conta que o bebé deve ser considerado como um ser que sente, deseja, sofre e quer comunicar-se e adaptar-se à realidade, desde o momento do seu nascimento. Com isto podemos afirmar que a qualidade do ambiente envolvente e do estímulo recebido influenciará a perceção que a criança desenvolve do mundo. Para estimular o bebé é preciso desejar comunicar realmente com este e aproveitar todas as situações para demonstrar-lho, criando novas e variadas experiências que lhe permitam descobrir o seu corpo e o mundo que o rodeia. E quanto mais numerosos e diversos sejam os estímulos que se lhes proporcionamos, maior será a sua capacidade de aprender no futuro e de adaptar-se às novidades.

Neste sentido, a brincadeira e os materiais/brinquedos disponibilizados assumem um papel preponderante no desenvolvimento intelectual, motor, afetivo e social dos bebés. Esta é uma via natural de expressão, permitindo que a criança explore e entenda, através de todos os seus sentidos, o mundo que a rodeia, transformando os sentimentos e ideias em ações. Com isto realça-se a ideia que qualidade não significa preços altos. Um brinquedo deve divertir, distrair e alegrar os seus destinatários e não transmitir valores não desejados, como o sexismo e a violência. Uma simples caixa de sapatos, uma garrafa de água vazia com materiais que provoquem sons no seu interior, poderão ser muito estimulantes.

No que respeita à quantidade, os brinquedos devem ser suficientes, mas não excessivos. Como tal, deverão ser evitadas as compras precipitadas e, no caso das épocas festivas, em que as prendas são em grande número, é útil optar por repartir as prendas de brinquedos durante o ano, de forma a manter o interesse da criança por eles e dar-lhe oportunidade de os explorar ativamente.

Naturalmente, teremos que ter em conta que a nossa interação com a criança deverá estar adaptada às suas necessidades desenvolvimentais, sendo necessário para tal que os pais conheçam as principais etapas e aquisições desenvolvimentais dos seus filhos. Seguidamente será apresentado um resumo das principais etapas desenvolvimentais dos 0 aos 12 meses, assim como sugestões de estratégias para a estimulação do bebé e tipos de brinquedos.

IDADE (meses)

AQUISIÇÕES ESPERADAS

ESTRATÉGIAS DE ESTIMULAÇÃO

BRINQUEDOS

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  • Vira a cabeça e a boca em direção à mama ou ao biberão, quando lhe tocam nos lábios.
  • Leva as mãos aos olhos e à boca.
  • Segue um objeto que se move em arco aproximadamente a 15 cm da sua cara.
  • Reage aos ruídos.
  • Fixa uma cara.
  • Fale e dê uma massagem ao bebé enquanto o limpa;
  • Coloque um dedo na mão do bebé para que o aperte e, se o fizer, erga a mão para que faça força;
  • Segure-lhe nos braços com suavidade e movimente-lhos para cima e para baixo, juntando-lhe e separando-lhe as mãos;
  • Mostre-lhe um objeto de cores vivas e mova-o lentamente para que o siga com o olhar;
  • Repita-lhe alguns sons: “aaa”, “ggg”, “bbb”; estique e dobre suavemente as pernas do bebé, movendo-as para cima e para baixo;
  • Permita-lhe brincar com a água durante algum tempo.
  • Ao passeá-lo, mostre-lhe objetos, fale-lhe e sorria-lhe;
  • Chame-o pelo seu nome e diga também os nomes das outras pessoas;
  • Coloque o bebé debaixo de uma árvore para que observe o movimento das folhas.
  • Ponha-lhe a chupeta na mão para que ele próprio a leve à boca;
  • Brinque às escondidas tapando o seu rosto, ou o do bebé, com a fralda, e mostre contentamento quando os destapa;
  • Levante-lhe os pezinhos até que os possa ver e brincar com eles;
  • Brinquedos móveis: pendure brinquedos móveis próximo do bebé, para que os veja.
  • Mordedores e brinquedos de apertar: fáceis de agarrar e de levar à boca.
  • Bolas e brinquedos moles: simples e de textura variada.
  • Fotografias plastificadas e espelho de bebé: colados nos lados do berço, para que a criança os veja.
  • Guizos, campainhas, brinquedos sonoros: brinquedos que emitem sons ao puxar, agitar, apertar, chupar ou tocar.
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  • Levanta a cabeça a 45° (inclusive a 90°) quando está em decúbito ventral (barriga para baixo).
  • Abre e fecha as mãos.
  • Balança-se (sentado com apoio) em frente a brinquedos que se movem e toca-lhes.
  • Move ambos os braços em direção a um brinquedo colocado na linha média.
  • Explora objetos com a boca.
  • Observa caras intensamente.
  • Sorri e movimenta o corpo ao ouvir a voz da mãe/prestador de cuidados.
  • Começa a emitir sons parecidos com a fala.
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  • Segura a cabeça sem balançar quando está em posição levantada/sentada.
  • Mantém-se sentado inclinando-se para a frente e apoiando-se nos braços.
  • Volta-se, normalmente estando deitado em decúbito ventral.
  • Estica-se para apanhar objetos.
  • Observa objetos em movimento.
  • Reconhece pessoas à distância.
  • Escuta atentamente as vozes humanas.
  • Sorri espontaneamente.
  • Grita de prazer.
  • Coloque o bebé de barriga para baixo, brinque e anime-o para que faça força com os seus bracinhos;
  • Sempre que seja seguro e cómodo, coloque-o em frente a um espelho, numa manta no chão, ao lado da janela, etc;
  • Deixe cair um objeto em frente dos seus olhos para que veja onde caiu;
  • Enquanto o alimenta, sorria-lhe e fale-lhe tentando ser expressiva, cante-lhe, limpe-lhe o rosto com suavidade e expresse a sua alegria se comeu bem;
  • Ofereça-lhe a possibilidade de descobrir novos objetos: recipientes, uma garrafa plástica bem fechada com um objeto dentro, uma colher de madeira, brinquedos com música, etc;
  • Fale-lhe e pronuncie os nomes das pessoas e coisas: “papá”, “bebé”, “água“, etc;
  • Esconda objetos da sua vista, tapando-os com algo que o bebé possa levantar. Cubra parcialmente algum objeto e mostre alegria quando o destapa;
  • Ponha-lhe a chupeta na sua mão ao contrário, de maneira que tenha de dar-lhe a volta para colocá-la na boca;
  • Deixe-o segurar o biberão com as suas próprias mãos enquanto se alimenta;
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  • Senta-se sem apoio.
  • Aguenta-se nas pernas quando é segurado em pé.
  • Mantém um objeto numa mão enquanto agarra outro.
  • Procura os objetos caídos, seguindo-os com o olhar.
  • Responde ao seu nome.
  • Responde quando se lhe diz «não».
  • Balbucia, combinando vogais e consoantes.
  • Brinca a esconder-se e a aparecer de improviso.
  • Em frente a um espelho, olhem-se e apontem um para o outro;
  • Fale-lhe com expressões diferentes (alegria, pena), e a imitar gestos com o rosto e mãos;
  • Repita-lhe sílabas (“ma”, “ta”, “pa”, etc.). Pronuncie as palavras “mamã“, “papá”.
  • Ofereça-lhe objetos de diferentes texturas, formas e sons, para que bata com eles;
  • Coloque pedacinhos de miolo de pão ou bolacha sobre a mesa e incentive-o para que os agarre com as mãos;
  • Ajude-o a amparar-se apoiado nos móveis;
  • Sente-o com as pernas abertas e dê-lhe um objeto para que o agarre, tentando que mantenha o equilíbrio;
  • Coloque o bebé de barriga para baixo e mostre-lhe objetos que estejam a certa distância, incentivando-o para que os alcance, gatinhando;
  • Tente que coma com a colher e beba de um copo;
  • Dê-lhe ordens simples como: “dá-me a bola”, embora não faça o que lhe pede;
  • Coloque os seus brinquedos dentro de uma caixa para que possa retirá-los;
  • Ofereça-lhe brinquedos de encaixar;
  • Ponha-o perto de um móvel para que tente pôr-se em pé sozinho;
  • Segure-o por debaixo dos braços e ajude-o a dar alguns passinhos;
  • Durante o banho e a muda da fralda, indique-lhe e dê os nomes às diferentes partes do seu corpo;
  • Sempre-em-pé sonoros: podem ser colocados na mesa onde come.
  • Bolas: duras ou moles, de tamanho adequado.
  • Brinquedos com rodas: carros ou animais que se desloquem sobre rodas grandes.
  • Livros de tecido ou plástico: com ilustrações grandes e simples.
  • Cubos grandes e moles: com eles pode jogar a construir.
  • Bonecos de peluche: antialérgicos e feitos de uma única peça.
  •  Recipientes, taças e brinquedos que flutuem: para brincar na água.
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  • Esforça-se para apanhar um brinquedo que está fora do seu alcance.
  • Opõe-se a que lhe tirem os brinquedos.
  • Gatinha e arrasta-se sobre as mãos e os joelhos.
  • Tenta pôr-se em pé.
  • Mantém-se em pé agarrado a alguém ou a alguma coisa.
  • Cumpre ordens simples ou aponta objetos, p. e.: “Onde está a bola?”, “Onde está o cão?”.
  • Diz «mamã» ou «papá» indiscriminadamente.
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  • Senta-se sozinho mesmo que esteja deitado de barriga para baixo, usando as mãos para brincar.
  • Caminha agarrado aos móveis, podendo dar um ou dois passos sem apoio.
  • Mantém-se de pé durante alguns momentos.
  • Aponta uma parte do corpo.
  • Diz «papá» e «mamã» à pessoa indicada.
  • Bebe pelo copo.
  • Aplaude e diz adeus com a mão.
  • Propicie-lhe brincadeiras com outras crianças, saindo com ele para o jardim;
  • Compartilhe atividades novas como brincar com água ou com areia;
  • Sente-o numa cadeira para comer ou fazer outras atividades;
  • Ponha-o em pé sem apoio durante alguns minutos, e incite-o a dar um passo;
  • Faça movimentos com a cabeça a dizer “sim” e a dizer “não”;
  • Estimule-o a deslocar-se apoiando-se nos móveis ou seguro pela mão;
  • Deixe-o gatafunhar em folhas grandes de papel, e pintar com tinta para mãos, utilizando as mãos e os dedos;
  • Ofereça-lhe um livro com capas resistentes para que ele o folheie;
  • Deixe-o desfrutar com a música e dance com ele;
  • Não importa se não consegue, mas já o pode ensinar a soprar as velas.
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Paulo R. C. Coelho

Psicólogo da Infância e Adolescência

Diretor Técnico da “mim – Clínica do Desenvolvimento”