Dislexia: eis a questão! O que é e quais os sinais de alerta?

A aprendizagem da leitura é uma das aquisições mais significativas que as crianças realizam na escola, por ser considerada um veículo para a obtenção dos conhecimentos académicos. Todavia, esta é uma aquisição complexa por se encontrar interligada a outras funções do desenvolvimento, como a atenção, a memória e a linguagem.

Mas, o que é ler?

A leitura é o ato de procurar compreender o significado da palavra escrita. Para tal são necessários pré-requisitos, como o reconhecimento dos grafemas/ fonemas contidos nas palavras, assim como os elementos sintáticos, recursos expressivos, tipo de discurso e inferências presentes na frase, para a compreensão da mensagem. Deste modo, a leitura requer competências para descodificar o código escrito, como também para entender e extrair o significado do mesmo.

Apesar da sua complexidade, a maioria das crianças que recebe uma instrução adequada aprende a ler com relativa facilidade. Porém, uma minoria substancial revela dificuldades específicas nesta aquisição, que podem ser consideradas “inesperadas” porque ocorrem em crianças inteligentes e capazes que realizam bem outras tarefas. Estas dificuldades podem advir de diversas causas, como fatores ambientais, socioeconómicos ou neurobiológicos, como privações sensoriais, incapacidade intelectual, dislexia, entre outros.

O termo “dislexia” tem sido usado em excesso e, por vezes, de forma incorreta. Não é verdade que todas crianças com problemas de leitura têm dislexia.

Então, o que é a dislexia?

É uma dificuldade no processamento da linguagem, que debilita a consciência fonémica da criança e, consequentemente, a sua capacidade para segmentar os fonemas e formar palavras. Assim, a descodificação e a compreensão da mensagem escrita ficam comprometidas.

Embora as caraterísticas associadas à dislexia variem de uma criança para outra, de um modo geral incluem os seguintes padrões:

  • Dificuldades em estabelecer a relação fonema-grafema;
  • Dificuldade em manipular os sons da palavra;
  • Divisão das palavras de forma incorreta;
  • Não consegue ler palavras novas ou desconhecidas adequadas ao seu ano de escolaridade;
  • Dificuldade em recuperar da memória sons e letras;
  • Inversão e/ou omissão de letras na leitura e na escrita;
  • Faz uma leitura lenta e sincopada;
  • Usa o contexto e lê as palavras seguintes recorrendo à adivinhação;
  • Dificuldades em apreender o significado da mensagem.

Perante a observação destes padrões de leitura de forma recorrente e consistente, recomenda-se aos pais e professores que a criança seja avaliada por uma equipa multidisciplinar, para se estabelecer um plano de intervenção que se adeque às suas necessidades, como recomendado pela literatura. A identificação atempada destas dificuldades permite a obtenção de resultados mais eficazes, uma vez que a plasticidade cerebral é maior em crianças mais jovens, o que permite a reorientação dos circuitos neuronais, tornando assim a intervenção precoce fulcral para a obtenção de sucesso nas suas aprendizagens.

Carla Oliveira

Professora de Educação Especial

mim – Clínica do Desenvolvimento